Artigo

  • Apr

    02

    2017
img

A VERDADEIRA DESGRAÇA

Quando lemos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, Bem Aventurados os Aflitos, item 24, a mensagem ditada em Paris, 1861, pelo Espírito Delphine de Girardin, não podemos deixar de lembrar o que ocorreu na nossa chegada a João Pessoa, onde desembarcamos na noite de 21 de janeiro de 1997. Hospedamo-nos num hotel na praia de Manaíra, próximo ao apartamento que havíamos comprado numa visita que fizemos à cidade em outubro de 1996, na Av. Geraldo Costa esquina com Av. Edson Ramalho. Ali ficamos uma semana aguardando a mudança e os carros que viriam por transportadora. No dia 1 de fevereiro mudamos definitivamente para o apartamento onde ficamos somente quatro meses e depois o vendemos; por desconhecimento, compramos um imóvel voltado para o poente, onde o calor era insuportável. Não somos adeptos de ar condicionado ou ventilador, o que se tornava mais agravante. Minha mulher, acostumada a servir, fornecer enxovais para gestantes pobres, roupas para orfanatos, que ela mesma costurava e pintava, além dos trabalhos espíritas que fazia no nosso centro em São Paulo, atendimento fraterno, exposição do Evangelho e direção dos trabalhos mediúnicos, além de ajudar outros centros, inclusive financeiramente, sentia-se como inútil desocupada aqui em João Pessoa.

Conversamos com um amigo que havia nos recebido em viagem anterior, quando nos levou para palestras em vários centros, inclusive na Federação Espírita Paraibana, e ele recomendou que minha esposa procurasse a presidente de um Centro da Grande João Pessoa, que ela, sem dúvida, gostaria de oferecer-lhe trabalho. Feito isso, marcaram para o dia seguinte, quando a “confreira” passaria no nosso apartamento e a levaria junto, porque era longe e ela não acertaria ir só. Às oito da manhã, a benemérita viria pra levá-la ao trabalho. Como até o meio-dia não aparecesse e nem atendesse ao telefone, minha mulher ficou impaciente. Finalmente, às seis da tarde conseguiu ser atendida e a senhora presidente desculpou-se que havia tido problemas com o carro; fora à oficina e não tivera tempo de informar, mas que no dia seguinte, às oito, pontualmente, ela passaria sem falta. Repetiu-se a leviandade da véspera e ela não só não passou como nunca mais deu qualquer satisfação, mesmo depois quando nas esquinas do movimento espírita acabamos nos encontrando.

Naquele dia, minha mulher me intimou a que tivéssemos a nossa própria instituição e então saímos a procura de local. No dia 1 de abril de 1997, sessenta dias depois que fomos para o nosso apartamento, já havíamos comprado a casa da Av. Esperança, 1213, Manaíra, registrado os estatutos, obtido o CNPJ, que ainda era CGC, autorização da Prefeitura e alvará do Corpo de Bombeiros e inaugurávamos a nossa casa: O Centro Kardecista “Os Essênios”. Pouca gente foi à inauguração (sete pessoas), porque ao escolher o dia da mentira, acreditamos que imaginaram tratar-se de alguma pegadinha espiritual.

Na verdade, o dia foi escolhido para homenagear a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, criada por Allan Kardec em 1 de abril de 1858, em Paris. Como defendemos que Espiritismo sem estudo não é Espiritismo, a data vinha a calhar.

O que sobrou de tudo isso, vinte anos depois, é que aquele acontecimento desagradável e leviano protagonizado por uma presidente de um centro espírita e, portanto, seguidora de Kardec, possibilitou a fundação de mais uma instituição em João Pessoa, o que de início não era nossa prioridade, e que hoje é uma casa acreditada, razoavelmente frequentada por pessoas que já estão conosco há muito tempo, algumas desde o primeiro ano, casa essa que talvez não existisse se a presidente da outra casa não tivesse agido como agiu.Na lição do Evangelho aprendemos exatamente isso.

Qual é a verdadeira desgraça? Aquela que nasce de um procedimento correto e mais tarde traz consequência desagradáveis, ou acontecimentos aparentemente funestos que ao final redundam em benefícios de diferentes formas. Houvera aquela senhora agido corretamente e talvez tivéssemos nos engajado nas suas atividades e hoje o Centro Kardecista Os Essênios não existiria na Paraíba. Isso ocorre amiúde na nossa vida. Se soubermos manter o equilíbrio e esperar os resultados mais adiante, muitas coisas que parecem boas serão más e outros que se prenunciam desagradáveis no final causam-nos muita alegria. Se tivermos Deus ao nosso lado e formos merecedores de proteção e ajuda, vivenciemos esta fé e aguardemos com paciência, certos de que nos acontecerá sempre o melhor.

Aquela presidente descompromissada com a solidariedade, respeito e atenção com o próximo, acabou se tornando nossa benfeitora. “Há males que vêm para o bem.” O adágio popular mais uma vez teve razão. Ela foi instrumento de Deus para nos ajudar a fazer o melhor!