Artigo

  • Sep

    24

    2017
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O BEM

“Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então voltai a oferece-la.” (Mateus, cap. V, vv 23 e 24)

Coisa singular o capítulo intitulado Bem-Aventurados os Misericordiosos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em síntese, ele nos apresenta a história da humanidade perpassada não pelos fatos históricos, mas pelo que converge para o entendimento do ser humano.

O ato de depositar a oferenda no altar, de representação simples entre os antigos, trazia o significado implícito de se colocar em sentimento perante o Pai. Não podemos nos colocar em sentimentos perante Deus, impuros. Por isso, o convite nos é feito para quando depormos a nossa oferenda o fazermos de coração pacificado e voltados para o bem.

Quando agimos assim abrimos campo para a Misericórdia Divina se fazer em nós. Pacificando sentimentos podemos agir de forma mais racional, nos afastando do núcleo do problema e enxergando de uma maneira mais equilibrada. Por isso dizemos que a Doutrina nos leva a uma fé raciocinada. Caminhando um pouco mais nos estudos que a Doutrina nos oferece e somando-se a temática abordada, aportamos no livro o Céu e o Inferno. Em particular em seu item intitulado: Código Penal da Vida Futura. Que nos apresenta a importante informação sobre o arrependimento, a expiação e a reparação tão necessárias para a criatura humana.

Mesmo estando num planeta de provas e expiações a criatura não experiencia aquilo que não foi acordado e mesmo durante a encarnação, há momentos nos quais ela mesma se dispõe ao reajuste com a Lei. São esses momentos em que antes de depor a oferenda no altar, através da prece, antes de uma palestra, de uma leitura edificante, a criatura como que de insight recobra a consciência de si, reavalia suas atitudes e após o mergulho interior, redireciona a conduta, identifica o erro e propõe-se a corrigir. Este constitui-se o momento do arrependimento. Pode acontecer em desdobramento através do sono ou nos períodos que a criatura se encontra desencarnada.

No momento propício e após análise pela própria Lei, avaliando os nossos méritos e o bem realizado, há a necessidade de experienciar. É a expiação que se faz presente em nossas vidas. Há situações que são equacionadas através de outros tipos de experiências, mas há momentos que precisamos nós próprios vivenciarmos aquilo que fizemos o outro passar para termos o profundo e total entendimento da experiência.

Como a Providencia Divina se faz presente em tudo, concede-nos a oportunidade de ajudarmos aquele a quem fazemos mal. Neste momento, o ciclo se completa, o bem comparece. O mais importante para aquele que estiver vivenciando tal tipo de aprendizado é compreender que em tudo a Divindade atua. Que o bem se faz presente. A intenção não é punir, até porque em Espiritismo não há o que se falar em punição. É aprendizado é responsabilização pelos atos. Através da prática e desenvolvimento do amor fazemos as pazes enquanto estamos a caminho. Para que não sejamos entregues ao Juiz e assim por diante.

A evolução é um processo constante em nossas vidas. A partir do momento que ultrapassamos uma etapa, novas portas se abrem, novas oportunidades se fazem e nós que antes nos considerávamos devedores perante a Criação nos tornamos co-criadores da nossa própria história. Saindo da condição de vítimas para autores operantes. Sendo resignados sim, mais trabalhadores do bem sempre. Pois onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada.

O processo de reconciliação começa conosco para depois chegar ao próximo. Fazemos as pazes conosco mesmos em primeiro lugar para depois fazermos um movimento consciente de busca pelo próximo. Temos a tendência em mascarar o que sentimos e até o que pensamos. Como se dessa forma, pudéssemos mudar o que habita em nós. Mas, dia chegará que esta fuga não poderá mais ser feita. Não porque seremos obrigados, sim porque desejaremos e buscaremos a verdade em nós.

A mudança ocorre com o reconhecimento e com o próprio trabalho de mudança que se opera nesse momento. Por isso, reconciliar é olhar com os olhos da caridade para nós mesmos e entendermos que erramos, mas isso não significa o fim. Pelo contrário, se erramos e aprendemos a lição é oportunidade bendita de não fazermos mais, porque já absorvemos que não pode ser daquele jeito.

Assim, ao nos reconciliarmos, estamos nos dando uma nova oportunidade, enchendo-nos de esperança e caminhando rumo à mudança de atitude. Para depois, fazermos o mesmo movimento rumo ao próximo. Reconciliando e juntos depositando a oferenda do entendimento no altar da vida.

Jornal O Clarim – Setembro 2017

Do site https://essenios.wordpress.com/2017/09/