Artigo

  • Oct

    16

    2016
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O ESCARAVELHO & O SER HUMANO

Venho compartilhar nestas linhas uma relação metafórica do filósofo Huberto Rohden entre a humanidade e um inseto da linha natural do reino animal.

Que possamos assimilar o melhor dessa reflexão.

Há entre os coleópteros um insetoque, em pleno fulgor de belezas primaveris, só se interessa por uma coisa – o monturo.

Encontrar entre as flores dum canteiro um montículo de esterco é para ele inefável delícia. 

Derramem rosas e violetas a fragrância dos seus perfumes – o escaravelho só anseia pelas fétidas exalações de substâncias putrefatas.

É esse o seu elemento, o seu clima, o seu paraíso...

Almas mesquinhas existem que encontram intenso prazer em chafurdar na lama de escândalos e remexer latas de lixo em casa alheia.

Descobrir faltas no próximo, fazer estatísticas das fraquezas alheias e assoalhá-las na praça da mais larga publicidade – é nisso que se cifra a maior delícia dos escaravelhos humanos.

Floresça na alma do irmão um jardim de virtudes, viceje um paraíso de boas qualidades – o escaravelho descobre logo a imundície, por mais oculta e insignificante que seja.

Tão apurado é o faro do humano coprófilo que, entre mil perfumes suaves, distingue logo o mau cheiro da podridão que procura.

Quanto mais baixa e vil está uma alma, tanto maior o prurido de descobrir os pecados alheios para contrastarem com as virtudes próprias que julga possuir.

Quanto mais perfeito é um Homem, tanto mais indulgente é com os outros e tanto mais severo consigo mesmo.

O homem que não “brinca de religião”, mas tem a sério o Evangelho, vê ridículo reparar nas fraquezas do próximo, porque sabe que também ele tem faltas, ainda que talvez de outra natureza.

Não agradece a Deus “por não ser como o resto dos homens, ladrões, injustos e adúlteros” – mas bate no peito e, de olhos baixos, murmura: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador”...

O cristão sincero não começa a “reforma da humanidade” na casa do vizinho – mas sempre na própria casa...

Só teria direito a condenar os outros quem fosse perfeito em todo o sentido – mas, coisa estranha! Precisamente o homem perfeito é o que menos censura os outros.

Quando os descaridosos fariseus arrastaram aos pés de Jesus aquela adúltera apanhada em flagrante, disse-lhe o Nazareno: “Aquele dentre vós que for sem pecado lance-lhe a primeira pedra!”

E eles, perplexos, se retiraram, certos de que a clarividência de Jesus lhes conhecia o negror que embota a Consciência...

Ficaram só a mulher pecadora e o “Homem sem pecado” – podia este lançar à adúltera a primeira pedra, a primeira e a última.

Mas, como podia o “Homem sem pecado” ser um homem sem piedade?

Como podia a suprema pureza deixar de ser a infinita caridade?...

E Ele, em vez de lançar pedras mortíferas à pecadora – lançou palavras de perdão e de vida à penitente: “Nem eu te condenarei; vai-te e não tornes a pecar”...

Assim são as almas grandes, puras, sublimes – indulgentes, porque compreensivas...

Seres celestiais tal qual Jesus, o Nazareno é lembrado neste escrito do Huberto Rohden na alta percepção de uma Consciência Crística, que aos meus olhos de aprendiz, olha, sente e doa Amor à Humanidade, porque é a própria manifestação consciente do Amor Divino, que nos convida de modo incessante a reconhecermos que Somos o sal da terra e somos capazes de fazer brilhar a nossa Luz no mundo interior e transbordar no mundo exterior, nos tornando assim, Um com o Creador, Pai, Deus ou Poder Superior!

 

Fonte:

ROHDEN, Huberto. De Alma para Alma. Martin Claret,págs. 123-124